Quarenta anos após Iolanda Fleming se tornar a primeira mulher a governar um estado brasileiro, Mailza Assis e Jéssica Sales protagonizam um novo capítulo da presença feminina na política acreana
A noite desta segunda-feira, 31 de agosto, foi marcada por uma grande mobilização feminina no AFA Jardim, em Rio Branco, durante o evento “Mulheres com Mailza e Jéssica”.
O encontro reuniu milhares de pessoas em apoio a Mailza Assis e Jéssica Sales, consolidando uma demonstração de força e participação das mulheres no cenário político do Acre.
Mais do que um evento político, a mobilização carrega um forte significado histórico. Mailza e Jéssica representam uma formação inédita na disputa pelo comando do Estado, colocando duas mulheres no centro de um projeto político majoritário.
Quarenta anos depois de Iolanda Fleming
A história política acreana possui um capítulo de destaque nacional quando o assunto é participação feminina.
Em 1986, o Acre entrou para a história do Brasil com Iolanda Fleming, que se tornou a primeira mulher a governar um estado brasileiro.
Iolanda havia sido eleita vice-governadora em 1982, na chapa de Nabor Júnior, e assumiu definitivamente o Governo do Acre quando o então governador deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal.
Seu nome tornou-se símbolo do pioneirismo feminino na política brasileira.
Quatro décadas depois, o Acre voltou a ter uma mulher no comando do Palácio Rio Branco com Mailza Assis, que havia sido eleita vice-governadora e assumiu o Governo do Estado em 2026.
Agora, a eleição estadual apresenta uma possibilidade inédita na história acreana: a escolha, pelo voto popular, de uma mulher diretamente para o cargo de governadora, acompanhada também por uma mulher na vice-governadoria.
Uma vitória de Mailza e Jéssica nas urnas representaria, assim, um novo marco: Mailza se tornaria a primeira mulher eleita diretamente governadora do Acre, enquanto Jéssica Sales integraria com ela a primeira chapa feminina eleita para comandar o Executivo estadual.
Mulheres são maioria do eleitorado acreano
O crescimento da participação feminina também pode ser observado na composição do eleitorado.
As mulheres representam mais da metade dos eleitores do Acre e desempenham papel cada vez mais decisivo na definição dos rumos políticos do estado.
Durante décadas, entretanto, os principais espaços de poder permaneceram predominantemente ocupados por homens.
Por isso, a presença de Mailza e Jéssica nos principais postos de uma candidatura ao Governo representa também uma mudança na forma como as mulheres passam a ocupar os espaços de decisão política.
Da história dos seringais a uma nova geração política
A formação política, econômica e social do Acre está profundamente ligada aos seringais, ao ciclo da borracha e à Revolução Acreana.
Durante décadas, grandes lideranças masculinas dominaram a construção política do estado. Coronéis, proprietários de seringais, grupos econômicos e tradicionais lideranças partidárias exerceram grande influência sobre os rumos do Acre.
Desde a incorporação definitiva do território ao Brasil, após o Tratado de Petrópolis, em 1903, passando pela transformação do Acre em estado, em 1962, a política acreana foi marcada majoritariamente pela liderança masculina.
As mulheres, entretanto, começaram progressivamente a conquistar espaços.
O Acre revelou nomes femininos que alcançaram projeção estadual e nacional, como Iolanda Fleming, Laélia de Alcântara, Marina Silva e, posteriormente, novas gerações de deputadas, prefeitas, senadoras e gestoras públicas.
Mailza Assis e Jéssica Sales passam a integrar essa trajetória em um momento em que as mulheres não querem apenas participar das estruturas políticas, mas também ocupar diretamente os principais espaços de comando.
Um ciclo histórico pode ser quebrado
O encontro “Mulheres com Mailza e Jéssica” mostrou uma mobilização que vai além de uma agenda tradicional de campanha.
A presença de milhares de mulheres reunidas no mesmo espaço representa uma mensagem de união e fortalecimento da participação feminina.
Depois de décadas de uma política fortemente marcada por lideranças masculinas e por estruturas tradicionais de poder, uma nova geração de mulheres busca ocupar seu espaço e mostrar que também pode comandar os destinos do Estado.
Quarenta anos depois de Iolanda Fleming fazer história no Palácio Rio Branco, Mailza Assis e Jéssica Sales colocam novamente o Acre diante da possibilidade de escrever uma página inédita na política brasileira.
De Iolanda Fleming a Mailza e Jéssica, o protagonismo feminino volta ao centro da história acreana.
O movimento apresentado nesta segunda-feira demonstra que mulheres organizadas, mobilizadas e unidas podem alcançar espaços que, durante grande parte da história, foram considerados quase exclusivos dos homens.
O Acre, que já foi pioneiro ao ter a primeira mulher governadora de um estado brasileiro, pode agora protagonizar outro marco histórico: eleger pelo voto popular uma governadora e uma vice-governadora, duas mulheres conduzindo juntas os destinos do Estado.
