A pena estipulada não começa a ser cumprida neste momento pois cabe recurso da decisão.
Ainda não há data estipulada para a divulgação do acórdão e, portanto, a defesa de Camelí só poderá recorrer após esta publicação.
Ao g1, a defesa informou que irá recorrer e que o julgamento ocorreu ‘sem que a defesa tivesse a oportunidade de se manifestar e exercer plenamente o contraditório’. (Confira o posicionamento completo no final da reportagem)
O ex-governador também se posicionou por meio de comunicado afirmando que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), ‘prerrogativa que me é assegurada pela legislação brasileira em vigor’. (Veja mais detalhes da nota no final do texto)

STJ retoma julgamento contra ex-governador do Acre Gladson Camelí
Durante a sessão, finalizada por volta das 15h48 (horário de Brasília), houve divergência entre os ministros com relação à pena a ser aplicada, uma vez que o revisor, Luiz Otávio de Noronha, pediu o cumprimento de 16 anos e 160 dias-multa. Veja abaixo como cada ministro votou:
Ao votar, a relatora afirmou que o conjunto de provas demonstra a atuação estruturada do grupo e o envolvimento direto do então governador nas irregularidades. Já o revisor concordou parcialmente com Nancy, mas desconsiderou a acusação de peculato e afastou qualquer ressarcimento e prejuízo ao erário para tratar em uma ação separada.
Veja como votaram os ministros da Corte Especial
| Ministro | Voto |
| Nancy Andrighi (relatora) | Condenação – 25 anos e nove meses |
| Luiz Otávio de Noronha (revisor) | Condenação – 16 anos |
| Maria Thereza de Assis | Condenação – 25 anos e nove meses |
| Luis Felipe Salomão | Condenação – 25 anos e nove meses |
| Raul Araújo | Condenação – 16 anos |
| Isabel Galotti | Condenação – 25 anos e nove meses |
| Antônio Carlos Ferreira | Condenação – 25 anos e nove meses |
| Ricardo Villas Boas Cueva | Condenação – 25 anos e nove meses |
| Sebastião Reis Júnior | Condenação – 16 anos |
| Sérgio Kukina | Condenação – 25 anos e nove meses |
| Francisco Falcão | Condenação – 25 anos e nove meses |
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o ex-governador integrava uma organização criminosa responsável por fraudar licitações e desviar recursos públicos por meio de contratos irregulares. Entenda nesta reportagem as acusações contra Camelí e seus familiares.
No dia 14 de abril, os advogados de Camelí informaram que haviam pedido a retirada de todos os elementos de prova produzidos entre 25 de maio de 2020 e 12 de janeiro de 2021, aceito pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A acusação também apontou pagamento de vantagens indevidas, uso da estrutura estatal para favorecer aliados e ocultação de valores obtidos de forma ilícita.

Ministra do STJ sugere pena de 25 anos e 9 meses de prisão para Gladson Cameli
Impactos
Com a condenação por órgão colegiado, Camelí passa a se enquadrar nas regras de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. Na prática, ele não poderá concorrer a cargos públicos por oito anos.
Leia na íntegra a nota da defesa de Gladson Camelí
A defesa do ex-governador Gladson Cameli informa que irá recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que não foi observada decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou a ilegalidade da origem da investigação.
É importante destacar que o julgamento do STJ ocorreu sem que a defesa tivesse a oportunidade de se manifestar e exercer plenamente o contraditório, motivo pelo qual a defesa tem plena convicção de que a decisão do STJ será anulada e a inocência de Gladson Cameli será prontamente declarada.
Pedro Ivo Velloso
Francisco Agosti
Leia na íntegra a nota de Gladson Camelí
Recebi com serenidade e absoluto respeito o resultado da votação realizada na tarde desta quarta-feira, dia 6, no Superior Tribunal de Justiça.
Compreendo o rito jurídico da Corte e é com base nesse respeito que, no exercício democrático do direito, recorrerei da decisão à instância superior — o Supremo Tribunal Federal —, prerrogativa que me é assegurada pela legislação brasileira em vigor.
Ressalto que essa etapa no STJ não altera de forma alguma, a minha confiança no resultado final da Justiça, apenas renova a minha disposição em representar os acreanos.
O eleitor do nosso estado merece ter sua escolha no voto respeitada.
Ninguém pode ganhar no tapetão.
Gladson de Lima Camelí
Ex-Governador do Estado do Acre
